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Governança, Riscos e Compliance

Gestão de Riscos, Segurança da Informação, Governança e Compliance

 
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Gado de corte

Uruguai reforça controles para monitorar todos os elos da cadeia produtiva de carne e atender as exigências do mercado de exportação

Com uma população de mais de 3,4 milhões de habitantes, o Uruguai se tornou referência no mercado internacional pelo selo de qualidade estampado em sua carne bovina. O país, que é um dos menores da América Latina, tem uma criação de 12 milhões  de cabeças de gado, o equivalente a quase três vacas por pessoa. Esse rebanho produz por ano uma média de 600 mil toneladas de carne e 70% desse volume são para exportações, com destino principalmente para os Estados Unidos e Europa.

Por atender compradores exigentes, o Uruguai vem investindo em programas e novas tecnologias para monitorar essa indústria. Uma das últimas aquisições foi o software Módulo Risk Manager, para Governança, Riscos e Compliance (GRC), fornecido pela Módulo, implantado pela integradora Datasec, parceira da empresa brasileira naquele país.  O objetivo da adoção da tecnologia é aumentar a confiabilidade das informações do setor coletadas ao longo de toda a cadeia de valor e ter certeza de  que seus processos seguem as boas práticas de mercado.

O software foi adquirido pelo Instituto Nacional de Carnes do Uruguai (INAC), órgão de administração mista que reúne  representantes do governo, indústria frigorífica e produção agropecuária. Com mais de 41 anos de atuação, a entidade desenvolve ações coletivas para promover, regular e controlar tanto a produção quanto a comercialização de carne.

O rigor com os controles da carne bovina justifica-se por este produto ser um  dos pilares da economia do Uruguai, que tem o agronegócio como uma das suas principais fontes de riquezas. A maior parte da receita do segmento vem das exportações, uma vez que apenas 30% da produção são para consumo interno. Esse fator exige a entrega de um produto que atenda as especificações e normas internacionais de consumo, principalmente as estabelecidas pela União Européia, bastante rigorosa com a compra de alimentos de outras nações.

Com essa exigência, a rastreabilidade de bovinos é obrigatória em todo o território do Uruguai desde setembro de 2006. Lá os novos animais precisam usar um chip na orelha baseado na tecnologia de Identificação por Radiofrequência (RFID). O  ispositivo (ou brinco) permite rastrear toda a vida do gado, que ganhou uma espécie de RG onde são armazenadas informações dafazenda que pertence, sua rotina no pasto, alimentação e vacinas.

Os dados podem ser consultados a qualquer momento pelas autoridades locais para a localização de determinado animal em caso de alguma ocorrência. A meta do governo uruguaio é até 2010 implantar o chip de RFID em toda a sua criação para reforçar o controle sanitário do rebanho bovino. Atualmente, cerca de 80% já estão chipados.

Caixas Pretas sem riscos

O Uruguai ampliou o monitoramento o setor com a implantação do Sistema Eletrônico de Informação da Indústria de Carne (SEIIC), popularmente conhecido por “Cajas Negras” ou “Caixas Pretas”, cujo projeto é coordenado pelo INAC. O projeto está em operação desde 2005, mas o lançamento oficial aconteceu em 2007. A iniciativa tem a proposta de controlar todo o fluxo da informação gerada pelos integrantes da cadeia de carne bovina, interligando o INAC com produtores rurais e frigoríficos.

Hugo Köncke, diretor de Tecnologia  da Informação do INAC, informa que o SEIIC foi desenhado para conectar todas as 38 plantas de frigoríficos do Uruguai e alimentar uma ampla base de dados do órgão. Ele explica que a idéia do novo sistema é processar informações de forma padronizada com segurança e transparência.

Os frigoríficos funcionam conectados por meio de uma rede segura. Todas as informações são transmitidas para o  órgão, que faz a consolidação e depois as publica em um site na Web para que possam ser acessadas pelos produtores a qualquer momento. O “Caixas Pretas” registra todos os dados do gado desde omomento do abate, passando pelo corte, desossamento, empacotamento até o despacho para os estabelecimentos comerciais locais e exportações.

Por envolver muitos controles, Köncke ressalta que o INAC tinha a necessidade de se apoiar em um software de GRC para garantir a segurança do sistema eletrônico de informações. Ele destaca que o projeto tem um direcionamento estratégico e precisa de governança para cumprir seus objetivos. Também tem que gerenciar riscos para não afetar os processos de negócios e antecipar Hugo Köncke, do INAC: “Acabamos o conflito que havia entre produtores e frigoríficos” medidas, em caso do  surgimento de novas ameaças, além de operar em conformidade com as regras e critérios do mercado externo.

“O INAC tem estabelecido regulamentações que devem ser cumpridas pela indústria frigorífica e é responsável pelo funcionamento e bom uso do sistema ‘Cajas Negras’, diz o diretor de TI. Foi por esse motivo que o órgão recorreu  ao Módulo Risk Manager para analisar dados e todos os ativos de tecnologia que suportam o projeto. O software, mediante a criação de bases de conhecimento próprio, foi utilizado para verificar se os processos nos frigoríficos estavam de acordo com as boas práticas definidas pelo INAC. Futuramente,a tecnologia será usada para avaliar o cumprimento das regulamentações internacionais orientadas a TI e adequação com as normas ISO 27001 e Cobit.

Negócio com transparência

O Uruguai tem cerca de 500 produtores de carne bovina entre fazendeiros de pequeno, grande e médio porte. No ano passado o país abateu 2,2 milhões de cabeças de gado, segundo balanço do INAC. A grande vantagem da implantação do projeto “Caixas Pretas”, segundo o diretor de TI do INAC, foi a padronização dos dados do setor e o fim do conflito que havia entre criadores e frigoríficos. “Antes havia muita discussão sobre o peso dos animais. Cada um fazia a sua pesagem. Agora temos um procedimento único e todas as plantas são obrigadas a adotar o mesmo tipo de balança digital”, afirma.

Próximos Passos

Na primeira fase de adoção do Módulo Risk Manager no INAC inspetores de controle de qualidade do órgão percorreram as 38 plantas frigoríficas munidos de questionários em papel para levantamento de dados sobre toda a operação do abate de gado. Depois essas informações foram transportadas para o software que se encarregou de analisar todos os procedimentos de captura. Foram avaliados os riscos envolvidos na alimentação do sistema “Caixas Pretas” e ações para reduzir os impactos em caso de acidentes.

Numa próxima etapa, o diretor de TI do INAC, informa que esse levantamento não será mais manual, o que deverá acelerar o trabalho. Os inspetores vão utilizar dispositivos móveis com capacidade pra fazer o preenchimento dos formulários e capturar informações nos frigoríficos de forma mais rápida e precisa. Além disso, o órgão prevê o envio desses formulários pela Web, permitindo que os inspetores possam fazer esse trabalho dos frigoríficos, sem necessidade de voltar ao INAC.

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